Para quem está chegando agora e não é tão familiar com a Goma, vou explicar a seção Base. É um espaço onde o artista a recomenda algumas músicas ao público, sempre com comentários de quem entende do assunto. Nesta última, convidamos o DJ Vitor Lima, que quando menino, teve o privilégio de aprender a discotecar na lendária Rock’n Soul, escola para DJs, com ninguém menos que Ramilson Maia e Celsinho Double C.
De lá para cá, se extende a lista de clubs em que passou a residir, o mais famoso seria o extinto Manga Rosa, no qual seu nome ficou bastante conhecido. Recebeu duas vezes o prêmio da coluna Noite Ilustrada, da Folha de São Paulo, como melhor DJ de Trance e Progressive, e ainda com 16 anos, passou a fazer parte do seleto casting de DJs da Energia 97FM, em que faz parte até hoje. A Goma teve o prazer de conhecê-lo, quando o convidamos para participar da Seção DJ7 na 13ª Edição, e para alguém que já dividiu o mesmo palco com The Strokes, Paul Oakenfold, Pete Tong e diversos grandes nomes, se mostrou uma pessoa bastante humilde. Nesta matéria, o DJ e produtor revirou seu acervo musical para que você, meu caro leitor, conheça um pouco suas influências, e de quebra, ainda aumente seu repertório com boa música! Dá uma olhada:
VINIL
GIORGIO MORODER & PHILIP OAKEY – “TOGETHER IN ELECTRIC DREAMS” (1984)
"No começo dos anos 90, em São Paulo era comum os clubs comprarem os discos, não os DJs. Funcionava mais ou menos assim, o DJ ia à loja que tinha mais afinidade junto com o dono do club ou gerente, e escolhia todos os discos que queria para aquele mês. Quando eu comecei a tocar profissionalmente, essa prática já tinha acabado, mas os clubs continuavam a ter enormes acervos de vinil. Quando tive a oportunidade de trabalhar no Gallery, um club que naquela época já tinha uns 25 anos de idade, fiquei enlouquecido com todos aqueles discos, um mais raro que o outro, da Disco music ao Synth Pop. Foi aí que decidi montar minha própria coleção de raridades. O clássico de Giorgio Moroder e Philip Oakey “Together in electric dreams” foi minha primeira aquisição, comprado numa pequena loja de discos no Soho em Nova Iorque."
ÁLBUM
NUYORICAN SOUL – “NUYORICAN SOUL” (1997)
"Quando dois dos maiores DJs de house do mundo (Little Loui Vega e Kenny Dope Gonzales) começaram a parceria chamada Masters At Work, as pistas de dança conheceram um novo estilo de house, mais latino, mas ainda assim bem novaiorquino. Anos mais tarde, o projeto deles chamado Nuyorican Soul pegou o mundo de surpresa. Havia pela primeira vez a vontade de transformar a música eletrônica em musica acústica, não o contrário. Com participações de grandes nomes como Jocelyn Brown, George Benson, Tito Puente e Roy Ayers, o Nuyrican Soul foi o primeiro álbum acústico de música eletrônica. Uma verdadeira obra prima do House e Future Jazz. Quem não se lembra de ter dançado ao som dos vocais de Índia na regravação de “Runaway” da Saulsoul Orchestra? "
EP DIGITAL
GRAMOPHONEDZIE – SWINGIN’ WITH THE FISHES! EP (2009)
"Todo DJ tem aqueles dias tirados para pesquisar novos sons na internet. Foi num dia desses, sem grandes expectativas, fuçando no Beatport.com que me deparei com essa pérola. A música que vale o EP chama-se “Why Don't You” e automaticamente virou um dos pontos mais altos do meu set até agora. Chega a ser cômico, porque não há uma única noite que toco, seja em Manaus ou Porto Alegre, que alguém não me pergunte o nome desse som. É uma daquelas poucas músicas que conseguem agradar todo tipo de público."
TRACK
UNDERWORLD – BORN SLIPPY (1995)
"Seria injusto não escolher essa track como uma das mais importantes da minha vida. A minha história com ela foi mais ou menos assim. Apesar da música já ter feito um certo sucesso no Brasil quando foi lançada em 1995, ela acabou esquecida no fundo dos cases de muitos DJs. Somente no início dos anos 2000, quando a música eletrônica cresceu absurdamente no país e depois de um CD e DVD ao vivo lançado pelo Underworld na Europa é que a musica ganhou força de novo. A nova versão ao vivo era muito mais animada, muito mais bacana para mixar e ainda tinha a gritaria do show ao fundo, que anima qualquer pessoa. Mas mesmo assim nenhum DJ tocava. Foi numa festa enorme do extinto club Manga Rosa que eu “relancei” a track. A verdade é que o dono do club Manga Rosa não botava muita fé em mim, me achava muito novo, não ia com a minha cara, sei lá... e acabou cortando metade do meu set na festa. Tinha apenas meia hora pra provar que ele tinha cometido um grande erro. Quando entrou o synth do Underworld, a festa veio abaixo, me arrepiei inteiro como todos que estavam na pista. Foi o ápice da festa! Depois disso fiquei meio conhecido como o DJ do Born Slippy, como uma marca registrada que carreguei por anos no meu case."
Ouça Gramophonedzie – Why Don't You
Victor Shin Editor-chefe da Goma, viciado em café e com twitter cheio de updates eletrônicos.