Imagine a cena: é uma noite de inverno no bairro da Bela Vista em São Paulo, há 25 anos atrás. As movimentadas ruas cheias de cantinas e tratorias se esvaziam. Porém, em uma rua específica um público diferente se amontoa à frente de um antigo casarão. São punks cobertos de rebites, jovens com aparência new wave, modelos, músicos, jornalistas e artistas. Todos esperando ansiosamente na fila por um lugar na concorridíssima noite do Madame Satã. O lugar havia se tornado o reduto de novidades musicais. Bandas com as mais diferentes propostas apresentavam seu som a um público ávido por novidades, criando um ambiente efervescente, onde a regra era quebrar regras, o novo era sempre bem-vindo e para frente era o único caminho possível.
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Não é exageiro dizer que o Madame Satã é uma verdadeiramente instituição da noite brasileira. A história da música de vanguarda no Brasil tem um capítulo inteiro no Madame. São muitas façanhas conquistadas. O Titãs (quando ainda era Titãs do Iê Iê Iê) fez sua primeira apresentação por lá, assim como outros monstros da música brasileira como Ira! e Biquini Cavadão. O casarão da Bela Vista (excluindo um probleminha ou outro) se manteve atuante por esses 25 anos, uma façanha se considerarmos o curto ciclo de vida das casas noturnas da cidade. E a cultura eletrônica como conhecemos desembarcou em terras brasileiras advinha aonde? No Madame Satã. Os primeiros ecos do Synthpop e do EBM foram ouvidos no porão da Bela Vista, pelas mãos de nomes conhecidos do público eletrônico. Mau Mau? Teve sua primeira oportunidade no Madame. Renato Lopes? Sua primeira residência foi no Madame. Magal? Se tornou uma verdadeira lenda do Madame, tocando SynthPop, New Wave, Post-punk e EBM.
Ao chegar aos 25 anos, o Madame Satã fecha um ciclo. Com toda essa bagagem histórica nos ombros, e a intenção de colecionar mais um quarto de século de novas histórias, o club começa a traçar o planejamento para manter o nome Madame vivo na mente do público. A pergunta é: ir por um caminho novo, abraçando novas tendências musicais indiscriminadamente? Se manter fiel as raízes do club e seu fiel séquito de seguidores? Claramente, escolher entre um e outro é inevitavelmente desagradar uma parcela do público. Foi pensando nisso que a comemoração dos 25 anos se transformou em um evento plural. O conceito adotado: unir os artistas que fizeram a trilha sonora do Madame pelo curso da história e se tornaram referência, e os novos talentos que utilizam dessas influências para gerar inovação. Ponto para o Madame, que abraçou o eclético formato de festival e deu mais uma opção para o público.
ROCK 80s, EBM, INDUSTRIAL, SYNTHPOP, ELECTRO, NUDISCO, ACID, MINIMAL, TECH-HOUSE...
Colocar diversas gerações de fãs de música juntos, que tenham alguma coisa em comum. Sob esse lema o Line-up do festival foi sendo montado. Serão mais de 30 atrações divididas em 4 espaços, abrangendo uma vasta gama sonora. Confira abaixo as maiores atrações do festival:
NITZER EBB
O grupo inglês é um dos pioneiros do EBM (ou Electronic Body Music, se preferir). O EBM foi um dos primeiros gêneros eletrônicos a voltar seus olhos para a pista de dança. O Nitzer Ebb é formado hoje em dia por Bon Harris fazendo programações e sintetizadores, Douglas McCarthy nos agressivos vocais e Jason Payne na bateria. O grupo vem se apresentando nos maiores festivais do mundo, como o